Na manhã de terça-feira, 11 de agosto de 2026, a Polícia Federal deflagrou a denominada Operação Voto Lacrado no estado de Pernambuco, cumprindo mandados judiciais de busca e apreensão no município de Tupanatinga, além das cidades de Garanhuns e Petrolina. A ofensiva policial de âmbito federal foi instaurada com a finalidade estrita de apurar a suposta prática do crime de corrupção eleitoral vinculada ao pleito municipal ocorrido no ano de 2024, conduta penalmente tipificada no artigo 299 da Lei Federal nº 4.737/1965 (Código Eleitoral Brasileiro).
Conforme as informações oficiais divulgadas pela assessoria de Comunicação Social da Polícia Federal em Pernambuco, os procedimentos investigatórios tiveram origem direta a partir de uma abordagem de fiscalização veicular realizada pelas forças policiais durante o período eleitoral do pleito municipal de 2024. Naquela fiscalização inicial em território pernambucano, os agentes da autoridade pública interceptaram um automóvel e localizaram a quantia de R$ 100 mil em moeda corrente nacional. Os valores em espécie estavam devidamente guardados e distribuídos em invólucros lacrados no interior do veículo, no qual também foram encontrados diversos materiais gráficos de propaganda partidária e eleitoral. A corporação policial pontuou que, à época da abordagem e apreensão, as identidades dos candidatos vinculados ao material e as siglas partidárias não foram tornadas públicas para resguardar o sigilo inerente às diligências apuratórias preliminares.
Ao todo, a Justiça Eleitoral expediu três mandados de busca e apreensão para cumprimento simultâneo nos municípios sob investigação, mobilizando equipes de agentes federais em endereços estratégicos de Tupanatinga, no Agreste Meridional e no Sertão do São Francisco. Segundo esclareceu a Polícia Federal, a meta precípua das ordens judiciais foi a busca e a apreensão de aparelhos de telefonia celular, computadores portáteis, dispositivos de armazenamento eletrônico, documentos contábeis, anotações e mídias capazes de fornecer elementos probatórios consistentes aos autos do inquérito policial. O propósito central das equipes investigativas é reconstruir minuciosamente toda a cadeia de transações financeiras, identificando a origem do montante em cédulas, a rota de circulação dos valores e o destino final do capital no contexto da disputa política do município.
O nome conferido à ação policial, "Operação Voto Lacrado", foi concebido em alusão direta à forma material em que as cédulas financeiras estavam armazenadas — empacotadas sob lacre — bem como ao próprio risco jurídico e institucional de comprometimento da livre e soberana manifestação da vontade do eleitor nas urnas. De acordo com os apontamentos técnicos da corporação, a entrega, oferta ou promessa de quantias em dinheiro para obtenção de votos constitui violação frontal à legitimidade das escolhas democráticas e à igualdade de condições entre os concorrentes no cenário político.
No que tange aos desdobramentos procedimentais, todo o material apreendido durante as diligências em Tupanatinga e nas demais localidades foi formalmente lacrado e encaminhado aos setores periciais competentes da Polícia Federal para perícia forense e extração de dados telemáticos. Após a conclusão dos laudos técnicos periciais, as conclusões serão juntadas aos autos do inquérito e remetidas ao Ministério Público Eleitoral e à Justiça Eleitoral, instâncias competentes para a análise de eventuais denúncias ou requerimento de novas medidas cautelares.